25
fev.-2015

Yemanjá, Mãe de todos os Orixas, Rainhas de todos os Mares.

Agora sim, eu vou falar de um assunto muito importante para mim. Falarei de uma linda Religião de Resistência, trazida para nossas terras nos Navios Negreiros e que é base para muita coisa da cultura Brasileira.
O Culto aos Orixás no Brasil, mas precisamente, falarei da Mãe, da Sra. Yemanjá no Candomblé!

Dentro da Casa de Yemanjá

Dentro da Casa de Yemanjá

Um Pouco da história de Yemanjá. 

Yemanjá que era filha de Olokun (Deus do Mar),  tornou-se esposa de Olofin-Oduduá e teve dez filhos; todos os Orixás. A mesma vivia cansada de viver em Ifé e decidiu-se andar em direção ao entardecer da terra (como os Yorubas referiam-se ao Oeste), Chegando em um dos vilarejos, ela conheceu Okerê e logo se apaixonaram. Ele então à pediu em casamento e a mesma aceitou, porém fez com que ele entendesse que nunca poderia ridicularizar seus seios que eram muito grandes.
Mas um belo dia, Okerê embriagou-se e começou a ridicularizar os seios de Yemanjá  e ofendida ela fugiu!
Okerê então furioso, enviou seus guardas para capturar-la. Yemanjá guardava consigo desde menina uma garrafa com um conteúdo encantador que lhe havia sido dado por seu pai. Porém poderia apenas ser usado em uma situação de emergência. Yemanjá tropeçou e a garrafa quebrou à transformando em um longo rio de águas tumultuadas que corria em direção ao Oceano. Okerê tentando impedir a fuga de sua amada esposa, transformou-se em uma Colina para barrar o rio. Yemanjá vendo que estava barrada, pediu ajuda a seu poderoso filho Xangô, que lançou um raio na Colina, que abriu-se ao meio deixando que o rio alcançasse o oceano.
Yemanjá nunca mais voltou a terra. Ainda existe na Nigéria uma colina com o nome de Okerê por onde passa o rio Ogum.

Vista da Casa de Yemanjá

A  História da  Casa de Yemanjá no Rio Vemelho. 

Foi em um Sábado, dia 2 de fevereiro de 1924, que 29 pescadores fariam a primeira festa de Yemanjá, após assistirem a Missa de Nossa Sra. de Sant’ana. (Santa de devoção dos Pescadores. O intuito da festa foi sempre pedir a Yemanjá que abençoasse a pesca daquele ano, trazendo fartura às mesas da comunidade, tanto quanto um bom comércio de Peixes.   Como os mesmos esperavam, suas preces foram atendidas e muitos peixes vieram em suas redes. Desde então os pescadores repetiram o ato ano após ano, precisamente no dia 2 de Fevereiro. A festa foi desde então comemorada juntamente com os Católicos celebrando o dia de Nossa Senhora de Conceição. Porém, nos anos 60 a Igreja Católica foi contra o culto aos Orixás, trazendo uma desavença e resultando no termino da comemoração de Nossa Senhora junto com a de Yemanjá.
São mais de 300 embarcações que levam para o alto mar, as oferendas a Rainha e Mãe de todos os Orixás. O Povo do Candomblé, Umbanda, Kardecista e até mesmo os católicos levam seus bilhetes, oferendas, presentes, tais como; perfumes, flores, comidas, fotos, etc.
A Fé do Povo é muito apreciada por todos e por isto a festa se torna um marco na história do Soteropolitano e até mesmo do mundo. Pois a festa de Yemanjá também acontece em várias partes do mundo, como: Rio de Janeiro, Londres (No Rio Tamisa), Nigéria, Portugal, etc.
Embarcação Fitas

A Casa em si foi instalada na antiga casa do peso. Assim conhecida na época, pois era ali que os pescadores limpavam, pesavam e comercializavam seus peixes. Eles também tinham que pagar o dízimo a Igreja Nossa Sra. de Sant’ana, uma vez que a casa do Peso ficava bem ao lado da Igreja, pertencendo ao local.
Porém “Porto Filho”, disse aos pescadores que o pagamento do dízimo não era obrigatório e assim então foi desencadeada um tremendo desentendimento entre o Padre Arthur Afrânio Peixoto, que tentou colocar a prefeitura contra os pescadores para que dali fossem retirados. Mas com o passar do tempo a situação amenizou-se.

Exemplo de Fé

Um exemplo mais recente de respeito e Fé ao Orixá, aconteceu no dia 11 de Outubro de 2001. Quando o empresário Washington Olivetto, paulista, presidente da W.Brasil foi sequestrado e em seu cativeiro redigiu uma carta a Yemanjá no seu ultimo dia de cativeiro.
No livro “Toca dos Leões”, mais precisamente na pagina 471, o biógrafo Fernando Morais, transcreveu esta mensagem na integra, onde foi extraído um trecho que dizia:

Hoje, dia 2 de Fevereiro, dia da Rainha dos Mares. Que Yemanjá abençoe todos nós e que nos leve todos ao rumo certo.  Tenho certeza de que neste momentos todos estão orando por nós, para que isto se acabe em paz, amor e harmonia. Se houver algo que ainda possamos fazer ainda hoje, peço por favor que nos digam.

Eu participei da Festa este ano e fiz questão de chegar bem cedo (02:00), pois queria presenciar tudo. Desde a chegada das primeiras pessoas, sendo: Os sacerdotes e zeladores de Orixá, com suas vestes Brancas, seus barcos ricos de Presente a Sereia do Mar.
Muitos se referem a Dona Yemanjá como: Janaína também. Um dos grandes amantes de Yemanjá, foi Dorival Caymmi que em diversas canções, tais como:  Caminhos do Mar, Dois de Fevereiro, etc. Retratava da Rainha do Mar de diversas formas e com muito amor.
A fé das pessoas que por lá passávamos era de ficar realmente transtornado de tanta beleza. O som dos atabaques com lutava contra o som das ondas do mar que batiam nas pedras, os cânticos, as pessoas velhas e sua fé que se rejuvenescia naquele momento.
Oferenda a Yemanjá

Mas foi na alvorada que eu realmente tive ate mesmo que colocar todo o meu material de lado e vivenciar aquele momento único. O quebrar na madrugada, com o majestoso sol nascendo, os fogos de artificio e flores, muitas flores e presentes à Rainha do Mar.
Como é lindo a fé incondicional, como é bom ver as pessoas indo reverenciar aquela quem tanto os ajudam. Yemanjá (Yá Ori) – Dona da cabeça. Aos Cânticos em Yorubá saudando a Rainha dos Sete Mares, a onda que ninguém segura.
A emoção bateu muito forte ao ver Yemanjá recebendo seus presentes em forma de agradecimento de seus fiéis que ali compareceram mais um ano. São mulheres agradecendo por terem engravidado ou mesmo agradecendo pelo parto saudável. Homens agradecendo pelo trabalho, a família, a saúde e a comida na mesa de sua família.

A Sereia do Mar.

Ainda sim, por volta das 11:00 a festa toma outro rumo que a mim não enternece muito, que são as bebidas e danças dos dias de hoje. Dai eu não quis participar deste momento e fiquei apenas com o momento da fé. Fui para casa, sorridente e realizado por estar adorando a nossa Rainha. Ô Dô Yá!

 

Oh, Sereia do Mar Yemanjá. Canto doce, acalanto dos aflitos. Mãe do Mundo, tenha piedade de nós.
Bendita são suas bençãos que vem do teu reino.
Meu coração e minha alma abrem-se para receber as bençãos de Yemanjá.
Mãe que sustenta, que protege, que cuida e que leva embora toda dor.
Abençoe mãe, mesmo aqueles quem te esquece, que te ignoram. Cuide de todos e de tudo, pois tudo é seu!
Yemanjá, tua luz norteia meus pensamentos e tuas águas lavam minha cabeça.
Vós que governai as águas, derramai por sobre a humanidade a vossa proteção.

 

mesa

 

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